06/11/2006
O lado ruim da fama



Os computadores Mac estão se tornando cada vez mais populares – além de fatores já lendários como o design e a confiabilidade do sistema OS, o Mac vem conquistando consumidores que usam iPod e a loja iTunes, da Apple, fabricante do Mac. A turma da Apple anda tão confiante que passou até a permitir que os usuários de Mac usem o sistema Windows além do sistema OS X.
Mas com a popularidade começam os problemas. Relatório da TechNewsWorld's
http://www.technewsworld.com/rsstory/54065.html indica crescimento das ameaças virtuais ao Mac. Na semana passada, por exemplo, a nova ameaça era o vírus Macarena.
Segundo a empresa de segurança McAfee, de 2003 a 2005, o número de vulnerabilidades do Macintosh subiu 228% comparados a 78% de aumento para a Microsoft. Até a idéia de superioridade em matéria de segurança do Mac está ameaçada. Segundo a empresa de segurança Internet Security Systems (ISS) em maio desse ano foram encontradas três vezes mais vulnerabilidades no Mac do que no Windows.
De consolo aos fanáticos seguidores da Apple o fato de que até no nome dos vírus o Mac segue mais simpático, afinal, Macarena soa melhor que Mydoom, Nachi, Doomjuice, Netsky, Bagle, Sobber e outras ameaças do Windows.

(Guilherme Ravache)

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27/10/2006
42 perguntas para Sandy


Quando entrevistei Sandy para escrever sobre o novo CD da dupla, o 15º da carreira dos irmãos, aproveitei a oportunidade para fazer algumas perguntas no estilo da seção Palavra Final, que é publicado em Época. A cantora, paciente e atenciosa, respondeu a todas as perguntas. Mas confesso que parei encabulado em uma questão que constava da lista: lugar mais estranho que já fez amor? Hoje me arrependo de não ter perguntado, imagino que você leitor talvez quisesse saber, mas acho que quem já conversou com Sandy entende a razão da “não-pergunta”. Posso dizer em minha defesa que perguntei em quem Sandy tem vontade de dar uma surra. A entrevista foi feita há algum tempo e estávamos testando um novo formato. Recuperei o material para postar aqui no blog. Sandy disse coisas interessantes, por exemplo: gostaria de tocar com Hermeto Paschoal. Disse ainda que não acha John Lennon tão bom músico. “Ele era genial, mas não era tão bom músico assim. Estamos falando de músicos. Mas chamaria também o Jimmi Hendrix e o Miles Davis”. Não entrarei no mérito da questão Lennon. No link tem a íntegra da entrevista com 42 perguntas para Sandy:

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/1,,EDG75623-5856,00.html

(Guilherme Ravache)

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25/10/2006
Seja uma estrela da internet (E Viva Tarkus!)

A United Talent Agency é uma das cinco maiores agências de artistas de Hollywood e está à caça de novos talentos da internet – principalmente na área de vídeos. A idéia é usar as estrelas do mundo virtual em anúncios na web e até em comerciais do mundo real. A agência que tem em seu cast estrelas como os atores Vince Vaughn e Jack Black além do diretor M. Nigh Shyamalan, segundo reportagem do jornal The New York Times, quer não só atores, mas roteiristas e diretores que atuam na web.
Eu já tenho uma dica para os caçadores da United Talent, a turma criadora do vídeo Tarkus. Esqueça Star Wars e R2D2 e C3PO - o casal mais gay da história do cinema. Tarkus é um robô assassino carioca e muito macho, até se prove o contrário. É um clássico (meu e de poucos iniciados). Preste atenção em como Tarkus derruba as criancinhas... Confira Tarkus no YouTube.com

(Guilherme Ravache)

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25/10/2006
Dica Anônima

Sobre a nota Imagens da Destruição, um leitor (o comentário está sem nome) dá a dica do site da Confederação Brasileira de Fotografia
http://www.confoto.art.br/ É bacana mesmo, vale conferir.

(Guilherme Ravache)

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25/10/2006
Grande sertão: digital

Para comemorar os 50 anos de Grande sertão: veredas a editora Nova Fronteira disponibilizou a obra de graça na internet, no site do MEC
www.mec.gov.br . O livro, que está na íntegra, já é um dos 50 mais vistos do site com mais de 10 mil acessos. Carlos Augusto Lacerda, presidente da Nova Fronteira, diz que não vê a internet como uma ameaça para a editora. “Apostamos na ousadia, porque a internet não diminuiu as nossas vendas em nenhum momento. Depois que o romance entrou no site do MEC, já esgotamos uma edição em brochura e duas da Biblioteca do Estudante”, diz Lacerda sobre Grande sertão: veredas, no comunicado da editora divulgado nessa quarta-feira, 25. Grande sertão: veredas ficará disponível até dezembro. A partir de janeiro a Nova Fronteira colocará no site do MEC os livros Viva O Povo Brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro; Flor de Poemas, de Cecília Meireles e Estrela da Manhã, de Manuel Bandeira. Outro caminho para baixar os livros é o site da Nova Fronteira. A revista Época adiantou a tendência da digitalização dos livros em julho desse ano na reportagem Qual o futuro do livro digital?

(Guilherme Ravache)

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20/10/2006
Da cabine

A 30ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo começou há pouco para o grande público, mas para uma parte dele - os críticos - já está acabando. Em 14 dias de Mostra as pessoas (aficionados), os mesmos de todos os anos, terão o privilégio de ver filmes de mais de 40 países que nem sequer entrarão no circuito de exibição - por pouca, ou nenhuma divulgação.

Como por exemplo, O Caminho para Guantánamo, de Winterbottom (The Road to Guantanamo). No filme, jovens paquistaneses que moram na Inglaterra vão ao casamento de um amigo, no Paquistão. Surge a idéia de viajar ao Afeganistão, em pleno outubro de 2001, quando os EUA começam a ofensia pós 11 de setembro. O resultado pode-se imaginar qual é. A partir da viagem eles passam fome, se perdem, se assustam com os bombardeios americanos, acabam presos e enviados para Guantánamo. Forçados a confessar algo que não cometeram, resistem o quanto podem, não sem antes sofrerem muitas humilhações. O diretor se vale do conteúdo dramático para sensibilizar os espectadores e mostrando que não existe guerra justa. Revela simultaneamente que, a medida que os Estados Unidos expandem seu domínio militar, também faz crescer o rancor de outros povos por suas ofensivas contra o “terror”.

A Mostra, com todo seu fetiche, exibe bons filmes, contudo, em horários ingratos para a maioria do público. Como meio-dia, às 14hs, em todos os dias da semana, o que não é para qualquer um. Conflitando tempo (agenda), orçamento (ingressos) e crítica é melhor aceitar a realidade: se você não tem o tempo necessário e já perdeu os pacotes de ingressos, então tenha paciência e espere chegar em DVD.

(Edgar Lopes)

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20/10/2006
Imagens da destruição



Desde a passagem do Furacão Katrina, nos Estados Unidos, em 2005 questões ecológicas ganharam destaque no país e viraram tema de discussões políticas e preocupações culturais. A exposição "Ecotopia" no International Center of Photography de Nova York traz imagens de 40 artistas e fotojornalistas que tem questões ambientais como tema. O site Slate fez um slide show com oito imagens da exposição com textos explicativos. Vale conferir:
http://www.slate.com/id/2151756/

PS: Vale lembrar que em 2001 os EUA abandonaram o Protocolo de Kyoto - documento estabelece a redução das emissões de dióxido de carbono (CO2), que responde por 76% do total das emissões relacionadas ao aquecimento global, e outros gases do efeito estufa, nos países industrializados. Na época George W. Bush, alegou ausência de provas de que o aquecimento global estivesse relacionado à poluição industrial. Mais sobre Kyoto em: http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT908417-1655,00.html

(Guilherme Ravache)

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19/10/2006
Lista bizarra

O
USA Today publicou a lista das 101 pessoas mais influentes que nunca viveram. O anúncio do livro, no exterior, já está garantido. O título é “The 101 Most Influential People Who Never Lived”. Claro que, é discutível. Mas com certeza muita gente vai cair na gargalhada e assumir que já se imaginou, ou se deixou influenciar por alguma(s) delas.
Na lista figuram Sherlock Holmes, Robinson Crusoé, Drácula, Cidadão Kane, além da Barbie, G.I. Joe e o HAL 9000. Personagens para lá de fictícios.
A lista não chega a ser assustadora, mas tem suas bizarrices. Por que diabos está lá a caixa de Pandora, Caco, o Sapo (Muppet Show) e Godzilla? Quem se deixaria influenciar pela lenda de uma caixa, por um sapo esquisito e por réptil gigante?
A lista, como trata excepcionalmente de ícones da cultura capitalista, talvez receba uma enxurrada de críticas. Já que estão lá todos esses tipos, por que não então Batman, Jack Torrance, Rocky, Beatrix Kiddo e por aí afora..?
1. O homem de Marlboro
2. Big Brother
3. Rei Arthur
4. Papai Noel
5. Hamlet
6. A criatura do doutor Frankenstein
7. Siegfried (personagem de O Anel dos Nibelungos)
8. Sherlock Holmes
9. Romeu e Julieta
10. Dr. Jekyll and Mr. Hyde

(Edgar Lopes)

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18/10/2006
Um Estranho no Ninho

No filme Superman o ator Kevin Spacey no papel de Lex Luthor é um convincente vilão. No teatro de Londres Spacey é o herói e a última esperança para salvar um dos mais tradicionais teatros da Inglaterra. Em abril de 2006 o The Old Vic, que já teve em seu palco estrelas como Laurence Olivier, John Gielgud e Richard Burton, fechou as portas depois de diversos desastres comerciais que geraram um prejuízo de quase US$ 2 milhoes. The Old Vic além de ser um teatro também produz as peças que apresenta. No último dia 15 de setembro o The Old Vic reabriu com Kevin Spacey interpretando Jim Tyrone na peça “A Moon for the Misbegotten”, de Eugene O'neill.
Alguns críticos ingleses acusam o ator de querer ser o novo Laurence Olivier e dizem ainda que o ator americano quer fazer do teatro um monumento em causa própria. A montagem é sucesso de crítica e público. Spacey fez os críticos engolirem outros sapos. Ele foi contratado como diretor artístico do Old Vic e disse que receberá um modesto salário (para os padrões de Hollywood, claro) de US$ 200 mil por ano. Como diretor artístico Spacey além do público trouxe patrocinadores de peso para o teatro, como o banco Morgan Stanley e a rede de cafeterias Starbucks. Quando seu espetáculo sair de cartaz em dezembro, o ator prometeu a montagem de duas peças de Shakespeare.
Mas Spacey mostrou que não está muito preocupado com a opinião alheia. No dia da estréia, Spacey chamou ao palco Sir Howard Davies, diretor do espetáculo, para agradecê-lo publicamente. Foi informado que o diretor, que dorme cedo, tinha ido embora no meio da peça (detalhe, que começa às 19h30). Spacey disse em alto e bom som para a platéia “Fuck you Howard”

(Guilherme Ravache)

Perdi o autógrafo do Clinton

Tudo isso para chegar ao ponto Bill Clinton. No dia em que assisti “A Moon for the Misbegotten” e ainda estava abobalhado com a estonteante performance de Kevin Spacey na pele do desesperançado bêbado Tyrone, dono de uma decadente fazenda em Connecticut, nos EUA, em 1923, percebi um burburinho na platéia durante o intervalo (sim, lá intervalo nas peças é quase regra). Em torno da cabeça branca de um senhor vestindo uma camisa amarela acompanhado por dois seguranças uma aglomeração de senhoras pedia autógrafos. O ilustre espectador era o ex-presidente americano Bill Clinton. Simpático, assinava os papeizinhos e sorria. Bons tempos em que a América tinha um líder carismático que gosta de ir ao teatro e ver uma peça em que o protagonista é um alcoólatra que perdeu as esperanças em Deus. Não peguei o autógrafo, mas quando penso em Bush acho que deveria ter pedido não só o dele como o de Kevin Spacey. Fãs de Eugene O'neill como Spacey e Clinton provam que nem tudo está perdido nos EUA.

(Guilherme Ravache)

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16/10/2006
A vez do UBUNTU

Até pouco tempo a palavra da moda era Zeitgeist, nascida do alemão, pode ser traduzida como "espírito do tempo". Quem tem Zeitgeist está em sintonia com seu tempo. Por exemplo, uma revista com Zeitgeist está antenada com os acontecimentos e antecipa tendências e necessidades dos leitores. Já os criadores do YouTube ficaram ricos por terem Zeitgeist ao perceber uma necessidade atual (um modo fácil de por vídeos na internet) e criaram a solução, o YouTube. Resolveram a questão e o resto é história.
Agora a expressão em ascensão é UBUNTU. O ex-presidente americano Bill Clinton recentemente discursando na convenção do partido trabalhista inglês usou a palavra que é ainda o nome do sistema de distribuição do Linux, um sistema operacional que concorre com o Windows. Em artigo no jornal inglês The Guardian o jornalista Nkem Ifejika, explica que a palavra é de origem Zulu e significa “Umuntu ngumuntu ngabantu”, que literalmente quer dizer que uma pessoa é uma pessoa através de outra pessoa. Clinton explicou em seu discurso que Ubunto queria dizer “Eu sou, porque você é”. Já o Linux, um sistema operacional gratuito e aberto para colaborações, tem tudo a ver com o Ubuntu. A expressão surgiu da filosofia africana e se apóia no conceito de compartilhar ajudando ao próximo.
Ainda segundo Ifejika, o principal divulgador moderno da filosofia Ubuntu foi o arcebispo Desmond Tuto. Em seu livro No Future Without Forgiveness, o religioso descreve uma pessoa com ubuntu como “aberta e disponível para outros, ajudando os outros... tendo um propósito de ajudar a si mesmo.” O que isso significa? Que atualmente apenas Zeitgeist não basta, é preciso ter Ubuntu, veja os exemplos de Bill Gates e Warren Buffet que doaram suas fortunas para caridade. Hoje para estar em sintonia com seu tempo é preciso estar em sintonia com o próximo. Os fãs de computadores poderiam ainda argumentar que o Windows teve Zeitgeist, mas o Linux é Zeitgeist com Ubuntu

(Guilherme Ravache)

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02/10/2006
O silêncio
(Crônica)

Enquanto caminhamos para a velhice, aprendemos a valorizar as pequenas coisas, muitas vezes invisíveis, da vida. O silêncio, que é invisível, é uma das artes que o jovem ignora, com sua míngua de bom senso e pendor para aventuras fabulosas. O jovem lota a vida diária com barulho e crê que com isso deixa os dias mais inesquecíveis. Não deixa. Descobri os prazeres do silêncio e sou grato a ela por isso.
Ela, como o leitor mais perspicaz já notou, é a escolhida, a mulher que faz água da bica virar uma cascata do mais aromático Cabernet. Ela me diz coisas, ao pé do ouvido, que dão novo sentido às velhas coisas que eu já sabia. Vamos a uma pequena história. Se não me engano, chovia. Era de manhã e os lençóis estavam trançados em minhas pernas, sinal de que meu sono não havia sido tranqüilo. Esfregando os olhos, peguei o celular e vi uma nova mensagem. Era ela, dizendo que me amava. Li, reli a mensagem. A necessidade que me acomete logo cedo de colocar a casa em movimento, ligar televisão, rádio e computador e até deixar o barulho do elevador entrar pela porta aberta deu espaço a uma contemplação vaga, que eu não sabia ao certo onde me levaria; mas que parecia a única opção naquele momento. Era a mensagem de um amor que começava a mostrar que não veio para perder viagem. Larguei tudo, a televisão, o computador, a caneca de café e o jornal do dia e me abandonei, em silêncio, naquela contemplação mística. Éramos eu e um sentimento que não precisava ser ignorado. Só nós dois. Um sentimento vívido, criado no coletivo de duas almas, mas que me dava uma certeza egoísta de que tudo estava bem comigo. Eu só queria ficar sozinho e recompor meu caminho: como o ganhador da loteria refaz em sua cabeça o percurso até a casa de apostas, a pequena e irritante espera na fila, o preenchimento da cartela, a vaga sensação de que aquilo era perda de tempo, a conferência dos números no jornal do dia anterior, a onda de entusiasmo, a euforia, a nova conferência, meticulosa como uma mãe investigando o bebê em busca de sinais de que o filho está bem, o telefonema brusco para o trabalho pedindo demissão, a encomenda da caixa de uísque e a assinatura no recibo da Caixa Econômica.
Assim eu me abandonei, durante alguns minutos, pensando. Como não chegasse a conclusão alguma, abri a janela e molhei o rosto no chuvisco. Me vesti e fui trabalhar, mesmo sabendo que o dia já estava ganho.
(Marcelo Zorzanelli)

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24/08/2006
Elis e Tom a 20 mil léguas submarinas


Os isones, zapeando pela madrugada, já viram este vídeo do canal a cabo Cartoon Network. É uma montagem com a música Águas de Março, do disco Elis & Tom, sobre cenas do desenho animado Laboratório Submarino. Delicioso.

(Marcelo Zorzanelli)

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10/08/2006
Crazy Star Wars



Gnarls Barkley é uma grande citação à cultura pop. Desde o lançamento em abril, os colaboradores Danger Mouse e Cee-Lo já deram nome de programa de TV ao disco (St. Elsewhere, um seriado americano da década de 70), fotografaram vestidos como os personagens de Laranja Mecânica e, para completar, apresentaram o hit Crazy no MTV Movie Awards 2006 com as fantasias dos personagens de Star Wars. Está dando muito, muito certo: Crazy foi o primeiro single de internet a superar a marca dos singles vendidos em lojas. Gnarls Barkley já fez história.

Além da audácia de repetir o arranjo de Crazy nota-a-nota no palco, o super combo de músicos mostrou que está por dentro do universo de George Lucas. A banda: pilotos da Aliança Rebelde nos backing vocals, oficiais Imperiais nas cordas, Stormtroopers na guitarra e no baixo, Chewbacca na bateria, Jango Fett nos teclados, Danger Mouse como Obi-Wan e Cee-lo como Darth Vader. Nos telões atrás da banda passa a letra da canção no mesmo estilo do texto de abertura de cada episódio de Star Wars. Até os cortes usam o efeito de edição do primeiro Star Wars.

O vídeo é de junho, mas está aqui só para preparar a chegada do novo clipe do Gnarls Barkley, inspirado em Forrest Gump e no documentário Zelig, de Woody Allen. Até lá, pessoal!

(Marcelo Zorzanelli)

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10/08/2006
Notícias de Londres
Depois dos atentados frustrados em Londres, o jornalista Luís Alberto Nogueira, da revista Monet, da Editora Globo, conta como foram as horas que antecederam o seu embarque no aeroporto Heathrow. PS: Este post foi publicado quando Nogueira já se encontrava voando a caminho do Brasil

Parece que nada aconteceu em Londres. Uma hora depois de as autoridades britânicas terem anunciado como frustraram um plano terrorista para explodir aviões saindo da Inglaterra a caminho dos EUA, a calma foi mantida entre os súditos da rainha. O metrô mais famoso do mundo funcionava com a eficiência de costume (incluindo mensagens para alertar os passageiros sobre as estações em obras, linhas com atraso, etc) e as pessoas trafegavam no centro da metrópole, como o Piccadilly Circus e Covent Garden, de forma tranqüila. Algumas, em direção ao trabalho; os turistas aproveitando um dia de temperatura média. A única coisa que destoava eram os jornais vespertinos ingleses com as manchetes sobre os atentados que não aconteceram. As manchetes gritam a cada esquina, com letras garrafais.
A rotina de quem não precisava viajar realmente não mudou. Não foi o meu caso que precisava pegar um vôo para o Brasil à noite _ peguei o metrô em direção ao aeroporto com cinco horas de antecedência (o normal e o que tinha planejado no dia anterior eram apenas duas, duas horas e meia). Para minha surpresa, cheguei com pontualidade britânica, o previsto num dia normal - aproximadamente 40 minutos. Chegando lá, as filas sim eram imensas, mas organizadas, e a sensação de que a polícia tinha tudo sob controle. No momento em que fui fazer o check in, ficaram com as minhas duas bolsas e me deixaram apenas com o passaporte e a carteira. Nada de livros, revistas, muito menos garrafas d´água. Um outro jornalista que estava comigo, Rodrigo Salem, da revista SET, esqueceu de despachar o celular. O aparelho iria ficar para tras, não tinha conversa. Mas uma funcionária da companhia aérea deu um jeitinho _ colocou o minúsculo celular em volta de papel e plástico e despachou como bagagem comum. O negócio vai ser ele sobreviver ao impacto do transporte entre bagagens pesadas.
O momento em que passei pelos procedimentos de segurança foi comum, tirando os sapatos, relógios, etc. Nada que não se faça em outros aeroportos dos EUA e Europa. A única mudança foi a revista pessoal (não só no detector de metais), como nos campos de futebol no Brasil, e ver dois policiais segurando metralhadoras. Perguntei a uma atendende como eles não entravam em pânico. "O que nós vamos fazer?", perguntou, com um sorriso constrangido. Muito diferente da segunda-feira em que os paulistanos fugiram do PCC. Mas a pergunta que fica na minha cabeça é "e se os aviões tivessem explodido?" certamente eu não estaria embarcando, como vou fazer daqui 10 minutos, de volta para São Paulo.
(Luís Alberto Nogueira, da Monet)

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08/08/2006
Dia quente de inverno
(Crônica)

Elas mordem com os olhares e lambem com as dentadas. Andam por entre a gente como se fossemos nada - a única preocupação em suas cabecinhas é a hora certa de aplicar o novo produto de beleza nos cabelos porque o sol está impossível - e são tão leves e delinqüentes que não percebem que o produto de beleza são elas próprias, produto de uma beleza rara e difícil de classificar porque são leves, deliqüentes e passam precipitadas, escolhendo bem onde batem os saltos nas sofridas calçadas da Avenida Paulista. É mais acertado afirmar que são produto de roubo, já que com tanta beleza sobre cadeiras tão individuais (e intransferíveis), é possível que alguma outra moça tenha cedido sua cota e nascido feia.
Enquanto a revoada de carros brancos, indubitáveis carros comerciais em busca de um despacho qualquer, espera o farol mudar para verde, uma moça loura afasta os cabelos da boca molhada de gloss e diz que a temperatura máxima do dia de hoje será de 30 graus. Só um comentário assim, feito como um gesto banal, permite que eu perdoe este indefensável inverno paulistano que trouxe a mim, que tenho uma cuíca no lugar dos pulmões e uma bronquite no lugar do sonho infantil de ser atleta, dor e dificuldades para as tarefas mais diárias, inclusive dormir.
Estou na calçada esperando uma outra musa, algo que me comova e me leve a esquecer este inverno que não acontece.
Um carro me levará de volta à redação, e vou conversar com o motorista na tentativa de ocultar meu desprezo, que nem é por ele, mas por todas as novas caras que sou obrigado a reconhecer agora que faço parte deste jogo chamado jornalismo. Ele, cujo nome não reti, parece cansado e as rugas não ajudam a melhorar seu aspecto. Tivemos rapidamente uma conversa de idiotas antes que eu saltasse para fazer meu serviço; eu disse que estaria liberado dali a uma hora e ele assentiu vagamente enquanto parecia lutar contra algum pensamento banal que o incomodava; eu, emburrecido como em todas as manhãs, nem pensei em tratar melhor da volta. Como fazem os burros ou os desesperados, deixei tudo na mão da sorte. Quem mais sofre é você, papel, que recebe lambadas de tinta sem nunca ter feito nada contra mim. Tinta e assuntos pequeninos, apertados, descrições que não interessam a ninguém, nem mesmo aos descritos. Não há como despertar sentimentos num dia como este.

Estou com essa preocupação besta, que não sei de onde vem, um medo de que algo aconteça e eu morra de felicidade ou de tristeza. Sou como um feirante num dia de sol quente, fitando os caquis frescos com um misto de esperança e temor - aquelas frutas precisam ser vendidas antes que o sol mude de lado com a tarde. É nessa que eu vou, anunciando meus caquis para a turma, fazendo trocadilhos e rimas infames. É assim que eu vou, neste dia quente de inverno.

(Marcelo Zorzanelli)

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04/08/2006
Sobre a palavra "post"



Estou escrevendo diretamente à janela do navegador onde o usuário deve digitar seu post, a principal palavra da cultura dos blogs (que foram capa da Época desta semana). Antes, os jornais já se orgulhavam de ter essa palavra em seu nome. O grandalhão Washington Post talvez seja o exemplo mais invulgar. A palavra deu origem, entre outras, ao vernáculo poster, que em português tornou-se pôster, que todo mundo conhece: a maneira de espalhar determinada mensagem através de um papel colado na parede -- ou postado na parede.

Outros significados também estão por aí. Se o cidadão norte-americano desconfia que sua propriedade será invadida por indivíduos de sangue latino e pele bronzeada, pode envolver o jardim com cercas elétricas e colocar grandes placas informando sobre a gravidade do crime de invasão de domicílio, talvez até mesmo em espanhol, para facilitar. Sim, o cidadão americano, que chamaremos de Johnny, estará fazendo "posts": avisos contra ou a favor de alguma coisa. Johnny, se depois de se encher cuidados, continuar temendo as visitas inadequadas, pode ir a público numa delegacia e "post" este homem como ladrão. A palavra também serve dizer que alguém foi denunciado publicamente. O nosso dedurar. Depois de fazer fama ganhando processos contra gringos paranóicos, o advogado do mexicano injustiçado pode incluir seu nome na lista de telefones como um homem eficiente e de preços justos. Estará fazendo um "post" de seu nome para a lista telefonônica. Já o latino, que só queria dinheiro para comprar um Playstation II, acabou ficando só com 10% da grana do processo (o advogado abocanhou os outros 90%), o suficiente para comprar um Playstation One e mais dois CDs de Luta Livre, seu jogo preferido. Quando vence adversários no game, nosso herói faz "posts". A palavra também é um sinônimo de "marcar pontos".

Sem falar nos outros significados mais ou menos difundidos: caixa de correio, poste, posto militar, toque de recolher (somente para o exército inglês), posto de trabalho (emprego), -- pesquisando é arriscado achar mais coisa. A palavra vem do latim postis, que quer dizer poste. Mas, para desespero dos dicionaristas, também vem do italiano. A origem é da palavra "posta", particípio do verbo "porre", que na Itália quer dizer colocar (em determinado lugar). Posta tornou-se o nome das estações onde ficavam os cavalos, nas primeiras tentativas de correios do mundo, por causa dos postes onde os mensageiros amarravam os cavalos. Daí até dar o nome de postal a todos os pacotes de mensagens, foi um pulo.

Mas o principal gosto dessa palavra é mesmo o sistema pelo qual as mensagens, objetos, são transportados de um lugar para outro. Exatamente o que está acontecendo aqui, agora, neste espaço. Estou, simplesmente, postando.

(Marcelo Zorzanelli)

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02/08/2006
Tapa na Pantera


Esse vídeo já virou cult na internet brasileira. Atuação digna de Oscar. Parabéns à Substância Filmes.
(Ricardo Amorim)

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01/08/2006
Duas maneiras de contar a história da Varig (ou Todo mundo tem seu dia de Tom Hanks)


Aeroporto Dulles, EUA

Estou vivendo meu dia de Tom Hanks. Nao, nao virei astro de cinema nem ganhei o Oscar. Eu me refiro ao Tom Hanks do filme O Terminal. Lembra? Na historia, ele faz o papel de Viktor Navorski, um passageiro do leste europeu que, sem visto de entrada nos Estados Unidos, passa dias morando no aeroporto, onde acaba conhecendo a aeromoca intepretada por Catherine Zeta-Jones. Lembrou? Pois bem, eu sou Tom Hanks, sozinho perambulando pelo aeroporto de Washington, sem nem mesmo a companhia da simpatica sra Michael Douglas para tomar um chope, jogar conversa fora ou dividir um bagel com cream cheese.

Vim para os Estados Unidos ha tres semanas para um curso em Stanford, na California. As passagens, compradas com grande antecedencia, eram da Varig. Ao longo do curso, descobri que o voo que pegaria para voltar para o Brasil, por Los Angeles, nao existia mais. Comecou ai minha transformacao em Tom Hanks. Em San Francisco, na semana passada, liguei para a Varig para perguntar o que deveria fazer. Eles me disseram para ir a loja da United para pedir um endosso. Os caras da United foram super simpaticos. Reservaram minha passagem para domingo – para quem pretendia voltar sexta, nao era tao mau assim. Mandariam o ticket eletronico por e-mail, assim que a Varig autorizasse o endosso. Deu tudo incrivelmente certo. 24 horas depois eu tinha um e-ticket San Francisco-Washington-Sao Paulo na mao. Cansado de um curso puxadissimo, tudo o que queria era chegar o quanto antes ao Brasil.

Domingo peguei o aviao para Washington. O voo, pontual, correu sem maiores problemas. A odisseia comecou quando desembarquei no aeroporto Dulles. A Varig havia mandado mais passageiros para a United do que a companhia Americana poderia suportar. O popular “overbook”. Nao consegui embarcar. Em vez disso, me encaminharam para uma fila onde eu receberia um vale-hotel, dois vales-refeicao e 600 dolares de indenizacao pelo incomodo (nao em dinheiro, mas em desconto em futuras passagens!). Eu e mais dezenas de brasileiros, alem de alguns americanos que haviam tido a ma ideia de viajar por uma companhia associada a Varig. Fiquei na tal fila – acredite – das nove da noite a uma e meia da manha quando, exausto, fui encaminhado para um hotel ao lado do aeroporto. Nenhuma promessa, apenas a vaga esperanca de viajar no dia seguinte.

Na segunda-feira resolvi chegar bem cedo ao aeroporto para tentar entender a situacao. Pedi para falar com o gerente da United. Fui encaminhado para a sub-gerente, uma velhinha simpaticissima, essas americanas do sul com quem e impossivel brigar. Depois de lamentar dezenas de vezes – sinceramente -- a minha situacao, ela foi falar com o chefe dela e voltou com uma solucao para o meu caso. “Voce esta na lista de espera hoje, amanha, depois e depois. Nao conte para ninguem, mas dificilmente voce vai conseguir embarcar. A Varig enviou passageiros demais”, disse ela. E acrescentou com o sorriso: “Mas eu consegui um milagre. Um ticket para Miami na quinta-feira de manha. De la voce pega um aviao da American para Sao Paulo. Nosso gerente ja conseguiu o endosso.” Eu perguntei: “Mas nao da para ser antes”? Ela disse: “Voce esta na lista de espera, como eu disse. Pode voltar hoje a noite. Pode voltar amanha. Mas se eu fosse voce nem tentaria. Aproveitaria para conhecer a cidade”.

Teimoso, tentei embarcar na segunda. A prioridade no entanto eram os menores de idade, que ocuparam as vagas restantes. Mais uma noite de hotel por conta da Varig e da United. Mais uma noite mal dormida num calor de 37 graus e umidade amazonica. Hoje, terca, acordei cheio de esperancas. Em vao. Acabo de receber a informacao de que a lista de espera hoje so abre para a Primeira Classe e a Executiva. Vou tentar de novo amanha, quarta. Se tudo mais falhar, tenho garantida – sera? – a passagem de Quinta. Bendita velhinha do Mississipi.

Existem duas maneiras de contar a historia da Varig. Uma e atraves dos numeros da companhia, que dao conta da ma administracao que a levou a falencia. A outra, esta, e do ponto de vista dos varios passageiros que, como eu, viraram Tom Hanks. E que, depois de dois dias ilhados no aeroporto, comecam a se sentir personagens de outro filme dele – O Naufrago. (João Gabriel de Lima)

(Nota da Redação: o post foi publicado sem acentos por ter sido escrito em um computador americano. Fizemos questão de mantê-lo assim para preservar sua autenticidade.)

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01/08/2006
O técnico é você



Gostou da primeira
convocação do técnico Dunga? Na sua opinião, há algum jogador que merecia uma chance e ficou fora da lista? Deixe o seu comentário.

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Renata Leal

Repórter de ciência e tecnologia da Época, mas costuma escrever também sobre esporte, comportamento e pequenos animais fofos. Troca HD de notebook, não consegue ouvir todas as músicas que baixa e acredita que tv a cabo é coisa de velho (bom mesmo é torrent!). Até hoje nunca calibrou o estepe de seu carro, mas seu HD é desfragmentado duas vezes por semana.

Fabio Sabba
Editor de fotografia e sósia do Elvis Presley, Sr. Sabba (como gosta de ser chamado, mas ninguém liga) mexe com computadores desde a mais tenra idade. Tem saudades do Apple II e do N-Gage. Não consegue dormir enquanto não termina um jogo. Joga Tetris com os olhos fechados desde 1993. Quando não treina kung-fu cinco vezes por semana, pensa em mudar para o Canadá e virar lenhador. Odeia Star Trek e acredita que o Han atirou primeiro.
 
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